Quem Sou Eu para Julgar o Outro?!



Como parar de se julgar?


E, principalmente, por que nós nos julgamos?


Podemos observar que grande parte das pessoas possuem bloqueios para se expressarem, para serem quem elas realmente são. Até eu mesmo já passei por essa situação algumas vezes.


Você pode ter sentido vergonha de fazer algo, não querer usar certa roupa, talvez tenha achado que a sua arte (caso você seja um(a) artesão/artesã) não tenha ficado boa o suficiente, tem medo de mostrar para o mundo um trabalho seu que tenha ficado muito interessante...isso tudo porque você está constantemente se julgando, auto-podando e auto-mutilando.


Mas, como podemos parar com esse ciclo vicioso que tem acompanhado todas as gerações?





Descobrindo a Gênese do Problema



Primeiro você deve entender qual é a raiz, o porquê de você estar se julgando. E a resposta pode ser mais simples do que se imagina.


Nós nos julgamos porque sentimos medo - medo de não pertencer à um grupo, de não nos conectarmos com as pessoas (ou vice-versa), dentre diversos outros que podem estar passando pela sua mente agora mesmo.


Isso é uma ferramenta de defesa que já é nossa e que reside na primeira camada do nosso cérebro, a camada mais primitiva, chamada de cérebro reptiliano. Ele é a responsável pela ação e reação do nosso ser, pelo instinto de sobrevivência que possuímos.


O ser humano, por medo e por sobrevivência, julga o seu próximo. Dessa forma, é criado um grupo de pessoas que julgam aquelas que não fazem parte desse círculo, criando uma falsa sensação de segurança para os mesmos.


Mas a pergunta que permanece é: “Por que eu me julgo tanto?”


E a resposta para ela é: você se julga tanto porque você julga o outro. Para parar de se julgar você deve parar de julgar o próximo. Parece ser tão simples na teoria, certo?! Mas, na prática, não é nada fácil - como você já deve ter experienciado.


O processo de impedir que continuemos a julgar é difícil, mas enquanto não pararmos com essa atitude será extremamente complicado parar de nos julgar também.


Pode ter certeza de que, se você está se julgando por algum motivo, se você está se podando e se limitando - de se expressar e ser quem você realmente é -, provavelmente a causa é o julgamento que você faz sobre outras pessoas.


Essa é uma construção social muito antiga.


Para trabalharmos nesse ponto, precisamos estudar uma filosofia antiga que trate sobre a gênese, sobre o início, o princípio desse problema. Só podemos cortar um problema se chegarmos à sua raiz.


Gosto de analisar, a partir do Artétipos, perspectivas simbólicas. Ou seja, reunir símbolos e filosofias antigas e os transpor para a nossa realidade atual, dessa maneira acabamos talvez não encontrando respostas, mas formulando excelentes perguntas.


Estudando e observando a filosofia hermética - de grande importância para a humanidade, para o ocultismo e para toda a simbologia humana - compreendemos que o Todo é uma grande mente que se manifesta em pequenas existências.


O filósofo brasileiro Huberto Rohden, o qual analisa a palavra “Universo”, indica que se separarmos a palavra em dois, termos “uni” e “verso”. Portanto, uma unidade que se manifesta por meio de diversidades.


Então, o Universo é uma totalidade que se manifestou em várias existências para experienciar infinitas possibilidades.


Deixando o conceito mais fácil: se você acredita em Deus, o Criador, ele se manifesta em todos os seres vivos, para que cada um desses seres vivos tenham uma experiência diferente. E cada uma dessas experiências diversas agregue no Todo mais energia e mais informação.


Se você é ateu e acredita que tudo seja obra do acaso, de alguma forma o acaso se manifestou e nós fomos criados. E para quê? Para que diversas experiências sejam vividas.


É claro, existem 7 bilhões de pessoas no mundo e muitas experiências poderão ser similares, muitas pessoas viverão experiências parecidas. Segundo a filosofia hermética, o Todo se manifesta para que cada uma das partes desse Todo viva, participe de uma jornada, tenha uma experiência diferente e volte para a origem com o resultado dessa jornada - mais energia e mais informação.


O Todo não precisaria existir se apenas uma experiência fosse válida.


Por que não aceitamos a diversidade do outro? Sendo que o outro somos nós mesmos?


Se o Todo se manifesta em vários pequenos pedaços (cada um de nós), dentro de nós reside o criador, mora uma parte desse Todo. Não podemos ignorar que existe uma parte do Todo em cada uma das outras pessoas, assim como existe em você.


Dessa maneira, cada experiência é diferente e válida. Toda vez que você se julga é porque, antes disso, você julgou o outro.


Se você não julga o seu próximo, você também não é capaz de se julgar. Você pode estar limitando a experiência de outras pessoas, dizendo que isso ou aquilo não é normal. Mas o que é normal?


Normal é viver, é existir e morrer. Participar de uma jornada ao longo da sua vida. E o que se faz com a jornada da vida é íntimo da cada um. Não somos ninguém para julgar aqueles ao nosso redor.


Precisamos nos questionar, formular perguntas que façam sentido.





Reflexão



Contranarciso


em mim

eu vejo o outro

e outro

e outro

enfim dezenas

trens passando

vagões cheios de gente

centenas

O outro

que há em mim

é você

você

assim como

eu estou em você

eu estou nele

em nós

e só quando

estamos em nós

estamos em paz

mesmo que estejamos a sós

LEMINSKI, P. Toda poesia São Paulo Cia das Letras, 2013


Sinta com essa linda poesia de Paulo Leminski. Eu sou você, você é eu. Nós somos parte de um mesmo Todo, por isso é tão importante desenvolvermos uma visão holística da realidade.


“Hólus” significa todo. Ter uma visão holística é ter uma visão que aborda e considera todas as variáveis. É uma visão que aceita todas as perspectivas, e se aceitamos todas as perspectivas não julgamos o outro.


Se não julgo o próximo, eu não me julgo. Não se julgando, você pode viver livre e sem limitar a sua experiência e seus resultados. Seus resultados serão sempre aquém daquilo que você é capaz, porque a sua experiência está restringida.


Para parar de julgar o outro você precisa desenvolver a sua consciência, não estar preso ao passado e ao futuro, viver o aqui e o agora. Saber e sentir o momento presente. Somos todos filhos do mesmo criador, somos versos da mesma unidade.


Essa visão é de extrema importância nos dias atuais pois os hormônios estão exacerbados, principalmente na internet. Nessa plataforma há especialistas em tudo, não é mesmo?! Você expressas a sua opinião e milhares de “especialista” surgem para lhe rebater e lhe desmoralizar.


Dessa forma, você acaba por se julgar. Mas a construção de tal julgamento se dá do julgar ao próximo.


Não somos absolutamente ninguém para julgar absolutamente ninguém.


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Abraços fraternos,

Lucca Ferronatto

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