Olho de Hórus: O Que esse Símbolo Significa?



O Olho de Hórus é um símbolo egípcio antigo e muito controverso, ou seja, diversas pessoas possuem diferentes interpretações sobre ele - o que é totalmente aceitável, pois como Carl Gustav Jung menciona em seu sexto volume, “Um símbolo perde, por assim dizer, a sua força mágica, ou, se quisermos, sua força redentora, logo que for conhecida uma solucionabilidade”.


O que isso quer dizer?


Um símbolo é um mistério no qual nós podemos mergulhar, porém nunca saberemos qual é a sua substância exata.


Assim como do Divino, nós podemos nos aproximar o máximo possível da tentativa de compreendê-lo. Entretanto, jamais tocaremos o “dedo” no divino.


Dessa forma, é comum que muitas pessoas tentem interpretar um símbolo como o Olho de Hórus, por exemplo. Primeiro, por ele ser muito antigo (algo em torno de 5.000 anos atrás, remontando à civilização egípcia). Segundo, por ser um símbolo de grande poder e que mexe com a sensibilidade do ser humano.


Neste artigo, portanto, darei a minha contribuição interpretativa para esse grande símbolo.


OBS: respeito, e muito, todas as demais interpretações e, em nenhum momento, tentarei trazer qualquer verdade absoluta - pois isso seria inteiramente ignorância e arrogância de minha parte.





A Mitologia por detrás do Símbolo


Hórus, o dono desse olho, era o único filho de deusa Ísis com o deus Osíris - que, apesar de ser marido e mulher, eram também irmãos (algo muito comum em mitos antigos).


Osíris, pai de Hórus, governava o Egito como Faraó. Ele possuía outro irmão, chamado Seth.


Seth era extremamente ciumento e sentia inveja de seu irmão Osíris. Seu maior desejo era roubar o trono de seu irmão e assumir o poder sobre o Egito, além de se casar com a deusa Ísis.


Foi então que Seth resolveu matar Osíris e, para que isso acontecesse, mandou que fosse feita uma caixa de cedro no exato tamanho de Osíris. Ele convidou todos do reino para um banquete e disse que aquele que coubesse perfeitamente na caixa, seria presenteado com ela.


O banquete foi servido e todos foram tentando “a sorte” com a caixa, mas obviamente, ninguém - além de Osíris - coube na caixa. Quando Osíris entrou na caixa, Seth e seus comparsas fecharam-na e a jogaram dentro do Rio Nilo.


Osíris morreu por afogamento e o rio levou a caixa embora com sua correnteza.


Hórus, filho de Osíris, se enfureceu com Seth e jurou que se vingaria de seu tio. Uma enorme batalha foi travada e, durante a batalha, Seth arrancou o olho de Hórus e o dividiu em seis pedaços.


Foi então que Toth, deus da sabedoria e da magia, juntou as seis partes, reconstruiu o olho e o entregou de volta à Hórus.


A partir de então, o olho de Hórus tornou-se símbolo de totalidade, visão, abundância e fertilidade. Porém, a interpretação do símbolo é muito mais profunda do que isso. Existem três chaves interpretativas que, juntas, podem abrir as portas desse mistério.






A relação entre o Olho de Hórus e nosso Cérebro



A primeira chave é o fato de que os seis pedaços do olho que Toth juntou fazem relação direta com os seis sentidos humanos (visão, olfato, paladar, audição, tato e intuição). A intuição, justamente o sexto sentido, é a responsável por nos conectar com a Centelha Divina que existe em nós.


A segunda chave surge quando o deus Toth entrega a Hórus um novo olho, reconstruído, que significa - por si só - o surgimento de um terceiro olho mais poderoso.


A terceira chave é o Olho de Hórus ser a exata representação gráfica da região do nosso cérebro que abriga a nossa glândula pineal. É possível encontrar no símbolo do Olho exatamente o desenho do Tálamo, do Corpo Caloso, do Hipotálamo e da Medula Oblongata.


No centro do Olho, encontra-se a glândula pineal - a responsável pela produção de melatonina em nosso corpo (o hormônio responsável por regular os nossos ciclos circadianos de sono).


Ela é um glândula altamente sensível à luz e funciona como um terceiro olho em nosso corpo. É por isso que se diz tanto que a glândula pineal é o nosso “terceiro olho”.


Além do ponto de vista científico, o famoso filósofo René Descartes associava a glândula pineal ao nosso lado espiritual. Ele inclusive a descreveu como o abrigo da alma. Ou seja, a glândula pineal é um portal de conexão com a nossa Centelha Divina.


Ela é um terceiro olho que nos ajuda a enxergar além da matéria, além do físico e nos conecta com o divino que habita dentro de nós. O nosso “eu divino” enxerga por meio desse “olho”.


E por estar relacionada à melatonina e os ciclos de sono, isso ocorre principalmente à noite, em estado de meditação e nos sonhos.


O fato é: a glândula pineal é um poderoso portal que pode nos reconectar com a divindade que existe dentro de nós - o que nos dá um enorme poder de criação de nossa própria realidade.


Não à toa, os egípcios desenharam o símbolo do Olho de Hórus exatamente como é representada anatomicamente essa fatia de nosso cérebro. Dessa forma, o Olho de Hórus representa o poder criador, a visão nítida, o encontro com a totalidade, o local onde você e o Divino são um único ser.


Por isso é considerado um símbolo de grande poder, por nos revelar esse terceiro olho, essa conexão com nosso Divino interior.





O Olho de Hórus e o Olho da Providência


Ambos os símbolos costumam ser confundidos. O Olho da Providência, também chamado de o Olho que Tudo Vê, é muitas vezes associado à seita Illuminati.


Esse símbolo surgiu na Renascença e foi apropriado pela Maçonaria. Ele está, inclusive, desenhado na nota de um dólar (US$1) norte-americana.


O Olho da Providência representa o olho de Deus sobre os seres humanos. O triângulo simboliza a Santíssima Trindade e os raios, o poder divino. Ele é um poderoso lembrete de que o grande arquiteto do Universo está sempre de vigia sobre os seres humanos.


Enquanto o Olho de Hórus é um símbolo libertador, que nos conecta com o Divino que habita em nós - ou seja, mostra que Deus ou o Divino está dentro de cada um e coloca a responsabilidade em nossas mãos -, o Olho da Providência é um símbolo castrador, colocando o Divino no lado de fora, vigiando-nos e com um olhar punitivo.


É a ideia do Big Brother, a deturpação da moral baseada na vigilância (referência ao livro 1984). Em uma palestra do professor da USP Clóvis de Barros Filho, ele questiona essa moral baseada na vigilância.


Ele coloca uma situação hipotética, e ainda assim muito interessante de se analisar: você acaba de sair de uma balada, gastou mais do que podia e se encontra dentro de um supermercado.


Você está morrendo de fome e olhando para um goiabada, percebe que ela cabe tranquilamente no seu bolso - você poderia, muito bem, subtraí-la do patrimônio do supermercado.


A pergunta é: você deixa de roubar por que tem uma câmera te vigiando e, caso seja pego em flagrante, perca a sua liberdade? Ou você deixa de roubar pois não é de você praticar tal ato?


Para Clóvis, e para mim também, moral é aquilo que você não faria nem mesmo se você fosse invisível. Não importa se existe uma câmera lhe vigiando, você simplesmente não faz algo porque a sua moral não é compatível com aquilo.


Quando você coloca o divino do lado externo, como um Olho que Tudo Vê e sempre vigiando as ações humanas, você deturpa a moral e tira, simbolicamente, a liberdade do ser humano.


E como o professor Clóvis de Barros Filho disse, “Quando não há liberdade de escolha, não há moral”.


Colocar Deus como uma imagem punitiva e vigilante, lá fora, só irá corroborar para o que Foucault chamou de Vigiar e Punir. É um “assassinato” da moral, por isso que a sociedade de hoje está no caos que se encontra - ela vive na completa amoralidade e não possui liberdade individual. Essa situação se agrava ainda mais com o advento da tecnologia e das mídias sociais.





Reflexão



Todas as informações encontradas aqui transcendem a lógica e a razão.


Novamente, citando Carl G. Jung em sua obra O Homem e Seus Símbolos diz: “Quando a mente explora um símbolo, ela é conduzida por ideias que estão fora do alcance de nossa razão”.


Então, desligue as chaves da razão e mergulhe nessa experiência onírica que é o Olho de Hórus. Mergulhe na compreensão de que o Divino está dentro de você...não há punição. Se você faz parte da Totalidade, e o Divino enxerga através de você, não há razões para roubar, matar, destruir, guerrear - você estará subtraindo de sua própria existência.


Reconhecer-se como parte do Todo e libertar o terceiro olho que existe em você é permitir-se ser um canal da divindade. É reconhecer-se no outro, na natureza e perceber que nada está fora. Tudo está dentro de si.


Isso lhe dá poder, não poder sobre o outro mas sim poder pessoal - de fazer melhores escolhas, de ressignificar sua própria moral e criar uma nova realidade em fluxo com o Divino que habita dentro de si.


Parafraseando Jung, toda vida individual é, ao mesmo tempo, a eternidade da espécie.


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Abraços fraternos,

Lucca Ferronatto

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