A Saga "O Senhor dos Anéis" e a Identificação com o Herói: em que fase desta jornada você está?

Atualizado: Jan 10



Sabe quando você está vendo um filme, lendo um livro ou ouvindo uma história de conto de fadas e acontece aquela identificação com o herói da narrativa?


Por que isso acontece? Já que não vivemos naquele mundo extraordinário, ou não fomos picados por um inseto radioativo e magicamente ganhamos super poderes?


O herói é um dos grandes Arquétipos que constituem a nossa psique. Identificamos no ato que, ali naquela história, há um herói. E por que conseguimos fazer tal identificação? Porque esse herói está dentro de nós!


A nossa própria existência é uma jornada heróica, desde o nosso nascimento até a nossa morte.


Imagina: nós nascemos pequeninos, totalmente dependentes dos pais e sem conhecimento prévio. A partir daí, temos que ir ganhando a vida, adquirindo coisas, adquirindo conhecimento, sabedoria, status e terminamos a vida - diferente de como foi iniciada - de uma maneira mais sábia.


A vida por si só é uma jornada heróica e nós somos os heróis.





Neste artigo você encontrará:


De onde vem a palavra "herói" e como a entendemos na atualidade;

Todas as etapas que constituem a Jornada do Herói;

O exemplo da saga "O Senhor dos Anéis";

Como descobrir em qual fase você se encontra.


Vamos entender o que é esse herói.




O termo "herói" e sua conotação


A palavra “herói” vem do grego e seu significado é: aquele que se sacrifica, aquele que se expõe a um perigo para salvar alguém. O herói faz, então, sacrifícios pelos demais.


Mas há uma certa contradição dentro de nós: apesar disso chamar muito atenção da nossa alma, nem sempre estamos dispostos a ser heróis. Muitas vezes a nossa zona de conforto é muito grande e nos acovardamos. Achamos muito bonito alguém ser herói, mas nos privamos dessa vivência porque a palavra “sacrifício” carrega consigo, infelizmente, uma conotação negativa para a sociedade ocidental.


Atualmente, vivemos em uma sociedade muito egocêntrica que vê o sacrifício como algo desnecessário e indesejado. Mas nas antigas sociedades, no oriente principalmente, o sacrifício é visto como o sacro ofício, ou seja, tornar algo sagrado, uma ação sagrada.


Logo, quando você atua de uma maneira divina/sagrada, você está sendo um herói.

Quem trabalhou muito o conceito de herói foi Carl Jung, que o descreve como um dos Arquétipos principais da nossa psique e, juntamente com o Arquétipo da Criança, a persona, a sombra, a grande Mãe e o velho Sábio, são base para outros Arquétipos.


E acima destes há o Arquétipo principal, chamado de Self, o qual representa a nossa totalidade, o que nós queremos viver no fim das contas, o motivo de estarmos aqui. A nossa missão pessoal de vida é atingir a nossa totalidade, integrar a nossa parte consciente com a parte inconsciente, a nossa parte individual com o coletivo.


Outro autor excepcional que trabalhou com este conceito de herói foi Joseph Campbell, um mitólogo e professor que em 1949 escreveu um livro chamado O Herói de Mil Faces, considerado um divisor de águas.


Neste livro, Campbell traz uma ideia muito interessante: de que a maior parte das histórias que se conta - desde que a humanidade surgiu até os dias de hoje - carregam o mesmo mito. Isso é chamado de monomito ou jornada do herói.


Nesta dinâmica, o herói (ou o personagem) passará por estações bem determinadas. Estas estações são um caminho, com começo, meio e fim. Quando esta jornada termina, o herói está diferente.


Então não é um passeio qualquer, é algo que tem muita virtude no seu interior, muita expansão de consciência. E a boa notícia é que todos nós podemos viver deliberadamente a nossa jornada de uma forma impecável, porque nós, como o herói que somos, estamos vivendo esta jornada que chamamos de vida.




As Fases da Jornada do Herói




A jornada do herói consiste em três fases básicas.


Primeira Fase


A primeira estação é formada pela preparação, pelo chamado e a presença do mentor. Nesta fase o herói vive no seu mundo comum, seu cotidiano, o seu sofrimento, as suas alegrias.


Ele então recebe um chamado para iniciar a jornada. Algo diferente acontece na vida dele: ele lê um livro, alguém fala alguma coisa ou ele percebe um problema perto da sua realidade, o que aumenta e modifica a sua consciência. O chamado é para visitar um mundo desconhecido e que deste mundo ele traga uma ferramenta para resolver a situação que ele está enfrentando.


Muitas vezes o herói recusa o chamado. Ele diz: “não estou preparado”, “não tenho tempo” ou “não tenho dinheiro”. Ele acredita que não tem os atributos para iniciar uma jornada dessa magnitude, então ele declina. Só que em seguida, ele encontra o mentor.


O mentor é uma figura que sabe mais do que o herói, tem um nível de consciência mais elevado, já viveu mais e o impulsiona, o chama para a real necessidade de ele viver aquela aventura. Esse mentor pode ser uma pessoa, pode ser um deus que você tenha entrado em contato com seus sonhos, um Arquétipo, um ser de mais luz.


Segunda Fase


A segunda estação é composta pelo início da jornada em si, as provações e a vitória. O herói, com todas essas ferramentas e inspirado pelo mentor, inicia então seu percurso.


Neste momento acontecem também as provações: provas que mexem muito com o herói, que fazem com que ele tenha que se superar a todo instante. A maior destas dificuldades é o risco de morte, seja ela real ou simbólica (deixar para trás ou perder algo que estima muito).


Assim sendo, o mentor já passou o conhecimento e agora cabe ao herói vivenciar tudo aquilo que ele aprendeu. Ele sai para jornada junto com seus aliados lutando contra seus inimigos, passa por provações e consegue ser vitorioso, consegue encontrar aquilo que estava procurando, entrando assim na próxima fase.


Terceira Fase


Essa fase é o que chamamos de retorno. No retorno ele traz consigo a recompensa que ele alcançou ao ultrapassar todas as dificuldades. Ele morre para quem ele era, passa por uma verdadeira ressurreição e volta para a vida, mas de uma maneira completamente diferente.


Ele está modificado e ele carrega consigo o elixir. “Mas que elixir é este?” você deve estar se perguntando.


O elixir é o conhecimento que ele traz de volta ao mundo comum de onde ele saiu, para a sua comunidade. Ele compartilha aquilo que ele viveu e a transformação pela qual passou com os demais. Ele passa a viver uma nova vida porque está transformado e, ao mesmo tempo, ele se torna um agente de transformação para as pessoas ao seu redor.




A jornada nunca cessa...


Bom, agora com a jornada concluída, a história termina por aí, certo?! ERRADO! Este ciclo pode ter terminado sim, mas em pouco tempo esse herói receberá um novo chamado.


Percebam a estrutura em espiral da jornada do herói: ele sai do mundo comum, entra no mundo desconhecido, volta transformado, trás consigo algo diferente e acrescenta ao seu meio algo de valor.


Mas ele não é mais a mesma pessoa, ele voltou ao mesmo ponto só que em um patamar de consciência superior. Agora ele terá um novo chamado, talvez com mais dificuldades, provas ainda mais complicadas pelas quais passará, inimigos mais ferozes, mas com certeza terá perto de si aliados mais poderosos.


E assim ele conclui jornada após jornada. Isso não termina, é uma constante.


A jornada do herói é uma dinâmica que não é de cinema, não é algo de um livro, de uma história, de um conto ou de um mito. Não. É a sua vida e você pode percorrer este caminho.




O exemplo da saga " O Senhor dos Anéis"



Para deixar um pouco mais claro essa jornada, vamos pegar uma saga bastante conhecida como exemplo.


A saga O Senhor dos Anéis contém vários Arquétipos, muitas situações arquetípicas e muita mitologia que circunscreve de maneira precisa cada um de nós.


O herói do filme, Frodo Bolseiro, vive no condado, um lugar comum, onde ele vive a sua vida cotidiana.


De repente, ele é encarregado de transportar um anel (a sua jornada). Ele se recusa, não quer ficar responsável por esse anel, mas seu mentor Gandalf - quem ele muito respeita - o convence a realizar essa tarefa.


Temos então a primeira fase, na qual vemos o herói em sua vida comum, recebendo um chamado, o recusando, encontrando o mentor que acaba lhe passa segurança, conhecimento e algumas ferramentas para que ele possa, assim, iniciar a sua jornada.


Frodo sai de seu condado e vai ganhar o mundo desconhecido, acompanhado de Sam, Pippin e Merry (outros três hobbits). Em sua jornada ele faz vários amigos, como Aragori, Boromir, o anão, o elfo, outros humanos.


Durante esse momento é criada a Sociedade do Anel, a união dos aliados para completarem essa jornada juntos. Só que quem vai carregar o anel não é a sociedade, esta função cabe somente ao Frodo: carregar o anel que será destruído em um lugar muito perigoso, as montanhas de Mordor.


No decorrer da travessia, ele é provado de todas as formas. Ele é atacado, aprende e consegue sair vitorioso das provação. Ele finalmente destrói o anel de poder que dominava todos os homens e, assim, finaliza a sua a missão.


Frodo termina essa segunda fase da jornada e passa para a terceira fase, o retorno ao condado, aquele lugar no qual ele morava e onde sua aventura se inicia. Ele retorna muito diferente, pois ele passou por muitas experiências positivas e negativas, mas reforço que todas enriqueceram a consciência de Frodo.


Ele não é mais inocente como no começo. O fato de ele ter destruído o anel de poder faz com que o mundo inteiro se transforme. Ele retorna ao seio de sua família, de seus amigos e traz consigo o elixir da transformação.


O mundo estava em perigo e Frodo o salva ao destruir o anel, encerrando assim a história. A grande recompensa que Frodo recebe é morar com os Elfos e ter a vida eterna.


São nestes pequenos passos que o herói dá que percebemos a preciosidade da oportunidade de crescimento, de transformação. Esta trilha já muito bem conhecida e muito bem descrita por Campbell traduz os mesmos passos que a humanidade já trilhou e que se encontra dentro de você. Isso é incrível!




Reflexão



Trouxemos esse conhecimento aqui de uma forma muito breve para que você entenda que, quando falarmos de Arquétipos (que estão regendo a sua vida), falamos também da jornada do herói.


Não só falamos sobre, mas além disso, lhe convidamos a trilhar essa jornada.


Disponibilizamos as ferramentas e, se for o seu desejo trilhar essa jornada heróica em busca de quem você é, do melhor que você pode ser, do ser mais luminoso que você é capaz de ser, você transformará a si mesmo e a sociedade.


Se cada um de nós trilharmos essa jornada heróica de uma maneira impecável, com muita consciência, vontade e determinação, estaremos certamente modificando o mundo.


A cada fase dessa aventura é vivido um Arquétipo - além do Herói que sempre nos acompanha - Você já sabe em qual fase da jornada do herói você se encontra? Qual Arquétipo você está vivenciando?


Descubra essas e outras respostas solicitando seu Mapa Arquetípico.


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Ainda não conhece o Mapa? Você pode saber mais lendo o nosso artigo:


Quero ler o artigo "O que é um Mapa Arquetípico?"




Muitos desejam ser este agente transformador, mas não sabem como fazer e lhe digo que esta é uma maneira muito divertida e muito rica de você transformar a si mesmo, a sociedade na qual vive e ao mundo.


Então fique atento a sua jornada!

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Abraços fraternos,


Mabel C. Dias.

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