A Força Oculta dos Arquétipos



Vamos imaginar que você queira construir uma casa do zero. Para isso, é necessário que seja feito um projeto, seja por um engenheiro ou por um arquiteto.


Este projeto nasce da captação de uma ideia pelo arquiteto, que em seguida cria um modelo de como será esta casa.


E qual a relação disso com Arquétipos?


Bom, os Arquétipos são ideias primordiais, ou seja, ideias que nasceram antes das coisas manifestas. E assim como a planta usada pelos arquitetos, os Arquétipos podem ser entendidos como a ideia captada e retratada na planta, um modelo de como a casa parecerá após ser finalizada.


Qualquer coisa no universo se comporta dessa forma, tudo tem uma ideia antes de se manifestar.


Você deve estar pensando: “Ok, isso eu consegui entender. Mas o que os Arquétipos têm a ver comigo? Com a minha vida?”


Conhecer os Arquétipos e saber como eles interagem com você, como você os expressa, qual a influência deles na sua vida, é algo fundamental.


Continue lendo para descobrir de que maneira isso acontece.








Neste artigo você verá:

Onde e quando surgiu o termo “Arquétipo”;

O que é um Arquétipo;

Como os Arquétipos se comunicam conosco;

Os conceitos de Consciente e Inconsciente (pessoal ou coletivo);

O que são símbolos e como são utilizados pelos Arquétipos;

O conceito de Individuação de Carl Jung;

A regência dos Arquétipos sobre você;

O uso do Tarô e da Sabedoria;







Onde e Quando Surgiu o Termo “Arquétipo”?



Quem inicialmente concebeu o conceito de Arquétipos foi o filósofo grego Platão, em 400 a.C. Em sua teoria, Platão acreditava que haviam duas esferas:


  • o mundo das ideias;

  • o mundo manifesto/material (o qual seria apenas um reflexo do mundo das ideias).


No mundo das ideias é onde se encontram os Arquétipos. Ele não é material, ele é não-físico, por isso podemos dizer que ele transcende a matéria. Já o mundo da matéria, no qual vivemos, é um mundo imanente.


Outra maneira que você pode ter ouvido falar dessa diferença entre as duas esferas é:


  • o mundo não-manifesto (ordem implicada);

  • o mundo manifesto (ordem explicada).


Desde a primeira existência do homem, é possível observar o desenvolvimento de certos padrões de comportamento.


Por exemplo: em tribos mais antigas, de 10.000 anos atrás, é possível perceber que determinados comportamentos (como manifestações religiosas, contos, estórias, manifestações artísticas) se repetiam entre civilizações de diferentes partes do mundo e sem qualquer conexão umas com as outras.


As manifestações eram as mesmas, reforçando a ideia da existência de Arquétipos.



Então, o que são Arquétipos?


A palavra Arquétipo - “arque” de antigo, inicial, primordial e “tipo” que remete a molde - representa um molde ancestral de uma ideia muito antiga. Quanto mais antigo o Arquétipo, mais força ele tem.


É muito importante que você saiba que Arquétipos não são coisas a serem utilizadas, não são uma ferramenta para uso de interesses pessoais. Nós podemos interagir com Arquétipos, extrair deles energia e informação, pois cada Arquétipo tem sua própria energia e a sua própria informação.


Mas que tipo de informação é essa? É uma informação que forma algo, que cria na matéria. Nós como seres materiais aqui, não conseguimos interagir diretamente como os Arquétipos.


Hierarquizando, estamos aqui no mundo manifesto e os Arquétipos se encontram acima de nós e se manifestam através de energia e ideias. Eles são o todo inteligente, o todo que criou tudo que existe, pura energia, pura consciência.


Precisamos entender que é necessário uma postura de reverência ao interagirmos com os Arquétipos. Eles estão em posição elevada, o que torna a interação direta impossível. Sua energia é tamanha que poderíamos não sobreviver.


É algo que está presente na profundidade da mente humana, do inconsciente coletivo como nomeou Jung, com o qual não conseguimos interagir de maneira direta, mas que se manifestam através de diversas situações de nossas vidas.


Entender Arquétipos é fundamental para que você se saia bem na sua jornada.




Os meios de comunicação dos Arquétipos



A ideia de Arquétipo para nós, com o entendimento e com os 5 sentidos que possuímos, torna-se muito difícil de compreender, então temos que utilizar algumas estratégias para explicá-los.


Os Arquétipos se manifestam nos mitos, nas estórias que os povos contam desde o início da humanidade, nos contos de fadas, nos contos de heróis e nos rituais religiosos.


Podemos observar a influência deles em todos os nossos 5 sentidos (em odores, gostos e sabores, imagens, sons ou texturas). Além de os perceber em esculturas, na pintura, no cinema, na literatura, na dança e até mesmo dentro dos sonhos.


Uma forma de manifestação dos Arquétipos é através dos mitos. Se pegarmos de exemplo o mito da Deusa grega Atena, considerada a deusa da sabedoria, você verá a evidência do Arquétipo do Sábio expresso em um mito, em uma deusa.


Ao interagir com esta energia, você recebe inspiração deste Arquétipo do Sábio, revelando assim sabedoria em sua vida.


Caso você nasça sob a regência desse Arquétipo, a sua vida será pautada pela sabedoria, pelo desejo de conhecer, de instruir as demais pessoas. Você terá o dom da oratória, de explicar as coisas para o outro.


E não adiantará muito fugir deste caminho, pois o Arquétipo dará o livre arbítrio para que você faça as suas escolhas, mas você sentirá a mão invisível do Arquétipo que te rege te colocando nos trilhos o tempo inteiro. Ao ignorar estas instruções, estas inspirações, algumas dificuldades podem surgir.


Você é utilizado pelo Arquétipo como uma forma de expressão, como um canal de uma força intensa, de uma energia psíquica enorme responsável pela criação de todas as coisas que existem no mundo.


Consciente x Inconsciente (Pessoal e Coletivo)


Uma outra forma de expressão dos Arquétipos são os sonhos, e é possível perceber que eles não exprimem o nosso inconsciente pessoal.


“Como assim os NOSSOS sonhos não exprimem o nosso inconsciente PESSOAL?”, você pode estar pensando.


Há o inconsciente pessoal, mas abaixo dele temos o inconsciente coletivo. Vou explicar melhor.


Nós temos o nosso mundo psíquico, interno, composto por camadas. Nele se encontra o ego, uma parte consciente onde residem as máscaras que usamos para os outros (chamadas de personas). Portanto este é o nível que interage com o mundo externo, físico.


Em região inferior, há um depósito de tudo aquilo que não queremos viver, aquilo que nos traumatizou, que nos traz vergonha e os nossos preconceitos. Como teorizou Carl Jung, é neste local - nomeado inconsciente - que residem nossos complexos, nossas sombras.


E por incrível que pareça, não há somente aspectos negativos neste local. Existem também aspectos positivos, certos talentos, potencialidades que poderíamos desenvolver e viver, mas ao invés disso, “varremos para debaixo do tapete”.


Abaixo do nosso inconsciente pessoal existe uma camada mais profunda ainda, o inconsciente coletivo, que é a somatória de tudo que a humanidade já viveu, vive e viverá. E é nele que habitam os Arquétipos.


Se já temos dificuldades para acessar o nosso inconsciente pessoal, imagina para acessar um mundo tão profundo e vasto como o dos Arquétipos?! Como, então, eles se comunicam conosco?

Os Arquétipos se comunicam conosco, com o nosso consciente e inconsciente, através de símbolos! Isso, símbolos. Eles expressam o que o Arquétipo quer nos dizer.




E o que é um símbolo?




O símbolo não é um simples sinal como uma placa de pare, que todos veem e logo entendem o conceito. Isto não tem nenhuma emoção, nenhum significado.


Os símbolos são carregados de significados, eles nos trazem emoções, mexem com nosso sistema límbico (sistema emocional). Eles não são algo fechado.


Por exemplo, um tigre além de um animal também é um símbolo. Na Índia, ele é entendido como um sinônimo de força, individualidade, independência e inteligência.


Agora, para alguém que vive em um lugar onde humanos são atacados por tigres, este símbolo - carregado de uma vivência pessoal daquilo que foi experimentado - poderá representar algo como perigo, medo.


Um símbolo nunca é igual para todo mundo.


Os Arquétipos, através dos símbolos, causam emoções em nós e essas emoções podem ser utilizadas e cumprir diferentes funções para diferentes pessoas. O marketing pode utilizá-lo para que alguém adquira alguma coisa ou para que tenhamos determinado comportamento.


Os símbolos falam com nosso inconsciente e se você começar a prestar atenção nisso, eles também falarão com seu consciente (onde nós pensamos, intelectualizamos, percebemos e formatamos o mundo).


Jung e a Individuação


Bom, agora que você já sabe o que é um Arquétipo, onde ele se encontra e como ele se comunica, vamos para o próximo passo.


Jung, após seus estudos de Platão, nos apresenta uma ideia de Arquétipos bem delimitada e a influência que eles apresentam ter na nossa psique, desenvolvendo também o conceito de inconsciente coletivo.


Logo, quando bem estudados por meio do seu comportamento e das manifestações aparentes em sua vida, você poderá utilizar esta força arquetípica como uma forma de equilíbrio. Equilibrar a sua mente e se individuar.


Individuar é sair do caminho do ego, daquela força psíquica de identificação, que te faz acreditar que você seja ele (o ego). O ego é a maneira como nos enxergamos e como nos comunicamos com o mundo. Essa sua parte não é a sua parte real.


Quando você conhece a sua psique, ou seja, os Arquétipos, o conceito de sombra, suas próprias sombras e o conceito de ego, você consegue transitar da melhor forma possível.

Na realidade, o Arquétipo se mostra como um caminho que a nossa alma poderá utilizar para interagir aqui nesta experiência física.


Além dos 5 sentidos já citados, Jung observa alguns outros traços, tão essenciais quanto, mas não muito discutidos como deveriam.