A Figura do Pai em Nossas Vidas

Atualizado: Ago 10



Você sabe por que comemoramos o Dia dos Pais?


O que esse dia significa?


Ou melhor, o que significa ser Pai?


A ideia de homenagear os pais se deu no ano de 1909, nos Estados Unidos, quando uma garota chamada Sonora Louise Dodd - filha de um ex-combatente da guerra civil americana - resolveu criar essa data como forma de honrar seu pai, John Bruce Dodd.


Seu pai havia perdido a esposa após a mesma dar à luz ao sexto filho do casal e, assim, criou todos os seus filhos sozinho. Segundo os relatos de Sonora, ele sempre foi um pai muito carinhoso e responsável, o que a motivou na criação desta data.


Já no Brasil, a data passou a ser comemorada nos anos 50, como uma forma de gerar marketing e renda. O dia é comemorado, em nosso país, no segundo domingo do mês de Agosto por coincidir com o aniversário de São Joaquim, considerado o patriarca da família.


Existe também uma antiga tradição que diz que essa data teve sua origem na Babilônia, quatro mil anos atrás. De acordo com os relatos, o jovem filho de Nabucodonosor, Elmesu, teria moldado em argila o primeiríssimo cartão de Dia dos Pais.


Neste objeto que Elmesu preparou para o seu pai (um grande rei naquela época) ele teria desejado sorte, saúde e uma longa vida. A partir de então, a data teria se tornado festa nacional.


Podemos observar, em ambas as histórias, que os filhos olhavam para os seus pais como heróis, alguém a ser seguido e admirado, alguém que merecesse honras e grandes afetos por tudo que haviam feito.


Mas devemos manter em mente que não são todas as pessoas que tiveram um bom relacionamentos com seus pais - isso se realmente o tiveram. Segundo o Censo Escolar, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e divulgado em 2013, há em torno de 5,5 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai em sua certidão de nascimento.


Esse dado traz um debate de como devemos compreender a paternidade no século XXI. O abandono afetivo paterno infelizmente é uma realidade, que pode trazer diversos traumas e dores para milhares de crianças e adolescentes.


Ao se tornarem adultos, esses traumas podem ser “varridos para debaixo do tapete” e contribuírem para o crescimento de uma sombra que certamente irá persegui-los durante toda a vida, a não ser que enfrentem tais dores.


Ser pai está muito mais ligado a uma função do que precisamente a uma relação biológica. Dessa forma, o pai é aquele (ou aquela, caso a criança seja criada por uma mulher) que educa, sustenta, que dá carinho e cuida.


E será que há, então, um arquétipo que define esse perfil? Temos o arquétipo da Mãe, mas e do Pai? Quais são as características dele?





Um possível Arquétipo do Pai


As pessoas que desempenham o papel de pai em uma família, muitas vezes, são vistas por seus filhos e cônjuges como líderes, mestres e até mesmo apresentam características presentes no arquétipo da Mãe.


Como um líder, o pai é aquele que lidera com consciência, não buscando superioridade ou poder sobre aqueles que cuida. É aquele que compreende as necessidades daqueles que abriga, pois é dotado de amor, sabedoria e poder organizador - ou seja, de colocar ordem por onde quer que passe, nesse caso em sua casa e família.


Ele visa o bem coletivo e busca a estabilidade financeira, tomando para si a responsabilidade da vida material de todos, inclusive a sua própria. Tais características regem a paternidade, a capacidade de sustentar e proteger aqueles que estão sob seus cuidados.


É alguém que possui a capacidade de lidar com as mais diversas adversidades que a vida coloca em sua frente com resiliência e equilíbrio, sem se deixar perturbar por tais acontecimentos.


Determinado, sabe o que quer - cuidar daqueles que ama.


Já como mestre, o pai é aquele que oferece o conhecimento. Um guia que nos estimula a buscar um objetivo de vida, um ideal, um significado além daquilo que é material e mundano.


Ele aponta a nossa carência de captar o amor divino e canalizar tal amor em nossas ações do dia a dia. Mas, antes de tudo, busca sempre ser mestre de si mesmo. Aprende, se desenvolve e depois compartilha sua sabedoria com a sua família.


Como a mãe, o pai também tem é capaz de amar incondicionalmente, de prover a energia da abundância e da prosperidade. É capaz de nutrir, de oferecer aquilo que aqueles ao seu redor necessita para se desenvolver, crescer e se fortalecer.


É também uma pessoa generosa, já que utiliza grande parte da sua energia para servir àqueles que estão ao seu redor e à quem ama - principalmente seus filhos, sejam eles consanguíneos ou não.


Dotado de compaixão, é capaz de fazer grandes sacrifícios e de defender seus filhos de qualquer maneira possível. Além disso, demonstra gentileza e tenta aliviar o sofrimento dos que ama.





O Abandono Afetivo Paterno



A professora de Psicologia Social do Instituto de Psicologia da USP, além de ser coordenadora do Laboratório de Estudos da Família (LEFAM), Belinda Mandelbaum, diz que “a ausência paterna decorre de um vínculo com a criança que, de alguma maneira, não tem força o suficiente para se sobrepor a outros interesses ou necessidades desse pai.”


Dessa forma, ele deixa de desempenhar uma função paterna que pode ser de três naturezas:


  • material: quando se deixa de prover sem justa causa;

  • intelectual: quando se deixa de garantir a educação primária, sem justa causa;

  • ou afetiva: indiferença afetiva, ainda que não exista abandono material e intelectual.


Ou seja, três formas de abandono. As duas primeiras estão prevista no Código Penal; a última, contudo, só passou a ser tratada na Justiça nos último anos.


Essa temática pode ainda levantar outras questões, como a definição de família por exemplo. Esse campo se caracteriza por uma fervorosa disputa ideológica, gerando debates até mesmo no Congresso Nacional de nosso país.


Para muitas pessoas, a família é uma instituição social existente em todas as sociedades, apresentando assim algumas características comuns entre elas como: serem constituídas a partir de laços de natureza social, formalizando e identificando tal relação e união de natureza não-biológica.


Por conta disso, a definição de família precisa ser ampla, para que possa realmente dar legitimidade aos mais diversos arranjos que as pessoas fazem e que consideram como sendo suas famílias.


As famílias atuais podem ser formadas por homem e mulher, somente mulheres, somente homens, sejam eles parentes ou não - pessoas que a vida colocou em seu caminho ou que você escolheu à dedo para estar ao seu lado.


Mandelbaum diz também que “quando um pai se ausenta, isso deixa marcas na criança”, pois questões como quem são nossos pais e de onde viemos são peças centrais na constituição psicológica de cada indivíduo.





O Perigo de Jogar suas Dores para a sua Sombra


Tendo tais informações em mente, é possível observar que é fácil uma pessoa que passa ou passou por situações de abandono buscar maneiras ignorar tão grande dor que pode se desenvolver, jogando para sua sombra esses sentimentos e evitando confrontá-los.


E o grande perigo reside aí, no comportamento de ignorar esses sentimentos e fingir que tudo está bem (quando não está).


Primeiro, precisamos nos lembrar que todos temos o nosso lado sombrio. É algo inato de nossas personalidades e natureza.


Se por acaso você ainda não tenha ouvido falar nesse conceito, a sombra da personalidade é um conceito criado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Em sua teoria, ele articula que a nossa personalidade pode ser dividida em duas partes:


  • A nossa persona, que é a faceta com a qual interagimos com o mundo, ou seja, as máscaras sociais que usamos para nos comunicar com as outras pessoas;

  • E a nossa outra faceta, o lado sombrio da nossa personalidade, tudo aquilo que guardamos no mais profundo de nosso ser e não mostramos pra ninguém, às vezes nem pra nós mesmos.


É necessário que tragamos nossas sombra para a luz. “E o que seria isso?”, você pode se perguntar. Iluminar nossas sombras é tomar conhecimento delas, dos aspectos mais sombrios da nossa personalidades, para de reprimi-los e de jogá-los para debaixo do tapete - como costumamos fazer para evitar o confronto.


É importante que façamos as pazes com nosso aspecto sombrio, já que todo ser humano possui a sua sombra. Conciliar-se com ela nos tornará pessoas muito mais íntegras, completas e felizes.





Reflexão



A simbologia do pai como um herói surge a partir da situação em que uma criança pequena vê o pai como alguém grande, adulto e - de certa forma - poderoso.


Ela enxerga esse pai como um ser dotado de uma série de recursos, possibilidades e habilidades que ela ainda não possui.


Mas devemos nos lembrar que, como qualquer outro ser humano, um pai engloba dentro si tanto aspectos-sombra como aspectos-luz, seja qual for o arquétipo que ele está vivenciando no momento - do herói, do mestre, da mãe…


O ser humano é passível de erros e acertos, e devemos estar preparados para perdoar, corrigir nossas falhas e nos alegrar com nossas conquistas.


Mas e você? Já sabe qual é o arquétipo que lhe rege? O Mapa Arquetípico® é uma excelente oportunidade de se conhecer mais profundamente. Com essa ferramenta você poderá ter conhecimento sobre como viver os aspectos-luz do seu Arquétipo regente e como trabalhar os aspectos-sombra que cria ao negá-lo.


Se quiser fazer seu Mapa Arquetípico®, acesse o link:

https://www.artetipos.com/euqueroomapaarquetipico


E se você deseja receber mais informações sobre esse e outros importantes temas, inscreva-se para receber conteúdos em primeira mão.


Abraços fraternos,

Amanda Nogueira Vilela

164 visualizações
  • Facebook
  • YouTube
  • Grey Instagram Ícone

© 2019 Artétipos - MABEL C. DIAS CONSULTORIA EPP - Todos os direitos reservados.

| Fale conosco - contato@artetipos.com | Tel: (11) 9.4240-0110