A Epopéia de Gilgamesh: os Ensinamentos que podemos tirar de uma das Histórias Mais Antigas do Mundo



Você conhece uma das histórias mais antigas da humanidade?


Como você pode aplicar, na prática, o ensinamento que esse mito trás?


Muitas pessoas falam sobre mitos, sobre arquétipos e não trazem isso para a prática. É muito importante trazermos esses ensinamentos (que aprenderemos a seguir) para as nossas vidas.


Pensando um pouco sobre o mito que trataremos aqui: o que podemos aplicar dele em nossas vidas? Quais arquétipos estão inseridos nele? Reflita sobre isso enquanto você lê esse artigo.


Até onde conhecemos, essa é a história mais antiga da humanidade e se relaciona muito com a nossa vida atual - apesar de ser uma história tão arcaica. Essa história é conhecida como a epopéia de Gilgamesh.





A Epopéia de Gilgamesh


Gilgamesh foi um rei da Suméria que realmente existiu, considerado o quinto rei de Uruk. Uruk era uma cidade da Suméria, localizada no sul da Mesopotâmia - onde hoje se encontra o Iraque (o próprio nome "Iraque" deriva de Uruk).


Muitas pessoas acreditam que os mitos antigos só se encontram em culturas como a grega, a romana, a egípcia...mas não, existem diversos outros panteões que datam muito antes daqueles que encontramos na Grécia, no Egito ou em Roma.


Só para vocês terem uma noção, os Sumérios se estabeleceram nessa civilização entre 5.000 a.C. - 4.000 a.C., muitos antes da civilização egípcia. Em 3.000 a.C., quando a civilização egípcia ainda estava nascendo, a Suméria já havia dominado a escrita.


A epopéia de Gilgamesh é uma história contada através de um poema milenar, que nos narra um mito sobre o rei de mesmo nome, Gilgamesh. Esse rei andava sobre os muros de Uruk medindo o tamanho do seu reino.


Nessa época dizia-se que, um rei que conhece o tamanho de seu reino era um ser bondoso e nobre. Mas o fato é que esse rei em específico não era bem assim, ele era um rei maldoso, agressivo, de sexualidade completamente descontrolada. Não era um bom rei para os cidadãos de Uruk, era um líder tirano.


Um governante tirano é algo bastante atual, que não pensa nas pessoas e sim apenas em seu próprio bem, em seu próprio ego. Aquele rei que pensa somente no poder e não no servir e governar as pessoas.


Vemos aqui o quanto a humanidade ainda tem para evoluir, que mesmo sendo essa a primeira história, não estamos muito distantes dessa realidade que ela narra.


O povo de Uruk se incomodava bastante com o governo de Gilgamesh e pedia ao Divino que interferisse no descontrole de seu rei e que essa postura não permanecesse. Anu (o deus dos céus, para os sumérios) decidiu que Gilgamesh necessitava de alguém que lhe fizesse companhia e domasse esse seu instinto selvagem.


Anu pede para a deusa da criação, Arura, que criasse algum ser que ajudasse a equilibrar os instintos e impulsos do rei Gilgamesh. Arura então cria, com argila e saliva, Enkidu. Enkidu foi criado como um homem muito selvagem, animalesco, cresceu na natureza e não tinha a menor chance de ajudar o rei.


Por ter crescido entre os animais, Enkidu era completamente agressivo com aqueles que tentavam se aproximar ou atacar. Ele pregava algumas peças ao redor do reino, destruía as armadilhas dos caçadores, e todas essas suas atitudes gerou furor no reino.


Os caçadores suplicaram ao rei que arranjasse uma companheira para Enkidu, para que ele não destruisse mais as armadilhas e seguissem com a caça e a construção do reino. Foi então que o rei Gilgamesh enviou para Enkidu uma garota de progama da região chamada Samrat.


Enkidu, o ser animalesco, e Samrat tiveram relações sexuais por sete dias ininterruptos. Quando esse tempo acabou, Enkidu volta para a floresta e foi ignorado pelos animais. Samrat, então, o levou para a cidade, deu pão e cerveja para que ele se alimentasse.


Nesse dia, pela primeira vez, Enkidu foi tratado como homem e ele deixou de ser puramente um animal. Mas quando o rei Gilgamesh fica sabendo da chegada de Enkidu na cidade de Uruk, ele se enraivece e o desafia para uma batalha.


Durante a batalha, o rei Gilgamesh percebe que Enkidu é tão poderoso quanto ele. Apesar de Gilgamesh vencer a batalha, ele percebe que não é o ser mais poderoso do universo (como imaginava ser) e que existem seres tão poderosos ou até mais do que ele.


Portanto, ele encontra em Enkidu o seu semelhante e a partir de então, ele desenvolve a humildade. Esse é o primeiro passo do rei Gilgamesh em direção à sabedoria.


Desde esse momento, Gilgamesh e Enkidu criam um laço de amizade absurdamente profundo, um elo passional. Todo esse amor que se desenvolve entre eles faz Gilgamesh perceber seus erros e ele passa a tratar seu povo com carinho, amor e respeito - pois o próprio rei passa a sentir tais emoções e sentimentos.


Gilgamesh se torna um rei bondoso e Enkidu se torna seu parceiro inseparável. Ambos partem para uma grande jornada para provarem a sua força ao povo de Uruk. Eles resolvem caçar Humbaba, um demônio protetor das florestas de cedro.


Gilgamesh e Enkidu precisaram de ajuda para enfrentar esse demônio de tamanha força e contaram com a proteção de Shamash - deus do Sol e da justiça para os sumérios. Assim, eles venceram essa batalha, mataram Humbaba, transformaram os mais altos cedros da floresta em canoas e voltaram para Uruk.


A deusa Ishtar, após todos os feitos do rei, propõe casamento para o mesmo. Mas Gilgamesh nega a proposta, sabendo que ela havia mandado o seu marido anterior para o inferno. Ishtar se sentindo ofendida após a rejeição, vai até seu pai Anu (deus dos céus) e pede por sua ajuda.


Ela pede o touro do paraíso com a intenção de amaldiçoar a cidade de Uruk. Ao colocar o touro dentro da cidade, o chão se abriu e centenas de pessoas morreram e com isso a ira de Gilgamesh e Enkidu se acendeu.


O rei e Enkidu mataram o touro e o esquartejaram. E como se não bastasse, Enkidu pega uma das patas do touro e joga na face da deusa Ishtar. Nesse momento, Ishtar se enfurece e amaldiçoa Enkidu à morte.


Enkidu, ao dormir, sonha que irá morrer. Após certo tempo, ele adoece e não resiste - deixando o rei Gilgamesh completamente desolado. O rei, com todo esse pesar em seu coração, se veste com peles de animais e inicia uma jornada em busca da imortalidade.


Gilgamesh vagueia no deserto por dias, acompanhando a trajetória do deus do Sol e encontra um túnel para o paraíso. Ao chegar às portas do túnel, o rei se depara com guardiões. Tais guardiões conta para o rei a história de um sábio chamado Utnapistim.


O sábio Utnapistim foi um ser que atingiu a imortalidade e sentou ao lado dos deuses, pois ele havia salvo a criação (por meio da construção de uma arca) de um dilúvio, muito semelhante à história da Arca de Noé que é encontrada na Bíblia, certo?!


OBS: A civilização hebraica surgiu e a escrita da Bíblia foi feita muitos e muitos anos após a história de Gilgamesh.


Gilgamesh, então, entra no paraíso e vai até Utnapistim para conversar com ele. O rei diz ao grande sábio que quer se tornar imortal, mas Utnapistim diz à Gilgamesh que a imortalidade só foi dada à um mortal um vez, por conta do dilúvio, e que isso não aconteceria novamente - portanto, o rei não poderia se tornar imortal.


Gilgamesh se firma em sua decisão e Utnapistim o desafia a ficar sete dias e sete noites acordado, para mostrar que o rei nem digno da imortalidade é. Se o rei conseguisse passar a semana acordado, ele provaria que merece a imortalidade.


Logo na primeira noite, Gilgamesh dorme e cai em um sono profundo. Ao acordar, Utnapistim reitera que o rei não merece a imortalidade pois não consegue controlar o seu impulso mais humano, o seu sono.


Quase saindo do paraíso, a mulher de Utnapistim olha para Gilgamesh e pede para que seu marido dê um presente para o rei, a juventude, já que ele não pode ter a imortalidade. O grande sábio, então, diz a Gilgamesh que a fonte da juventude se encontrava no fundo das águas de um lago que lá estava.


Utnapistim diz para o rei amarrar algumas pedras em seus pés para afundar e chegar até à uma flor que estava no fundo do lago, flor essa que era responsável pela juventude. Mas antes de tudo, Gilgamesh decide testar essa flor com o ser mais velho de Uruk.


Voltando para a sua terra, Gilgamesh se senta em uma fonte pelo caminho e descansa a flor nela. Uma serpente se aproxima e acaba por comer a flor, tornando-se uma jovem serpente novamente. Gilgamesh perde sua chance de atingir a sua imortalidade e de conquistar a juventude.


Ele volta ao seu reino e a história termina exatamente como começou: o rei, andando pelos muros da cidade de Uruk, medindo o seu reino. Porém, mesmo tendo fracassado em sua busca pela imortalidade, ele se torna mais humano e compassivo.


Gilgamesh percebe que não seria o ser mais poderoso do mundo, que não seria uma divindade, que não atingiria a imortalidade como imaginava e ansiava. Mas, enquanto vivo, ele poderia tornar a vida de outras pessoas melhor, mais digna, com muito mais amor - dessa forma, ele se torna um verdadeiro líder e governa Uruk não mais como um tirano, mas com compaixão e amor.





Análise sobre o Mito de Gilgamesh



Se formos analisar a história desde o início, logo perceberemos o monomito de Joseph Campbell. Ou seja, a Jornada do Herói conceituada por ele. Quer entender mais sobre a Jornada do Herói? É só clicar no link abaixo para ser redirecionado(a) para um artigo completo sobre o assunto.


Quero ler o artigo "A Saga "O Senhor dos Anéis" e a Identificação com o Herói: em que fase desta jornada você está?"


  • Primeiramente, Gilgamesh (o principal personagem dessa história), um governante tirano, é chamado para a aventura;

  • No meio dessa, ele conhece Enkidu e encontra um parceiro nele;

  • Depois, ele conhece um mestre, Utnapistim - exatamente como na jornada do herói;

  • Ele trava batalhas até chegar ao mestre;

  • E então volta ao seu mundo de origem e completa o ciclo, mas em um patamar mais alto.


E o que isso significa? Gilgamesh completou toda a Jornada do Herói e ele não escolheu participar dessa jornada, mas foi escolhido para trilhar esse caminho. Mas como podemos trazer essa jornada para a nossas vidas, na prática?


Gilgamesh tinha um comportamento abusivo em relação ao seu reino. E depois de completar a sua jornada, de travar batalhas, de conhecer o seu semelhante - ou seja, depois de percorrer um caminho não só externo, mas também interno - ele percebe que o grande “monstro” encontrava-se dentro dele próprio.


Os grandes tiranos que hoje estão no poder, seja lá qual for o lugar do mundo, são frutos de nós mesmos. Nós os colocamos lá e eles são tão humanos quantos nós. A tirania está dentro do ser humano e a jornada do herói fala justamente sobre partimos em uma direção rumo às nossas próprias sombras, descendo o mais fundo que pudermos em nós mesmos e encontrarmos a nossa própria tirania.


Só vamos conseguir curar o mundo quando nós nos curarmos. O mundo é um reflexo de nós.


Sendo a história de Gilgamesh uma das mais antigas da sociedade (se não a mais antiga), quando que nossos chefes de Estado irão trabalhar em prol da sociedade, da população? Com amor, nutrindo o seu povo? Quando isso irá acontecer?


Quando eles perceberem que não são deuses, que não é sobre o poder e sim sobre amor, compaixão e o compartilhar. Isso é uma jornada individual. Dificilmente, tais líderes perceberão essa verdade...talvez nem os próximos, mas em algum momento todos despertaremos.


Não existe a perfeição. É justamente em cima dos erros e da iluminação das sombras que conseguiremos transcender essa situação. Mas esse processo não é fácil, ele é doloroso, pois observamos tudo aquilo que não queremos enxergar em nós mesmo e naquilo que já fizemos.


É um processo de autoconhecimento.


A questão não é quantos erros já cometemos, mas sim se aprendemos alguma coisa com eles. Gilgamesh aprendeu com os seus erros e percebe em si a sua humanidade, se libertando.


Essa é a maior lição que podemos tirar desse mito: só nos libertaremos quando percebermos o humano que há em nós.





Qual é o Arquétipo por detrás desse Mito?


É o arquétipo do Herói, do guerreiro (a carte sete do Tarot, o Carro), aquele que percorre a sua jornada. Há também a presença do arquétipo do Líder (a carta quatro do Tarot, o Imperador), o governante que quando projeta a sua sombra se torna um tirano, mas ao projetar a luz em suas sombras se torna um líder verdadeiro e um ser de luz.


Um arquétipo não tem lado luz e lado sombra, ele é o que ele é. A luz e a sombra estão dentro de cada um de nós, somos nós quem projetamos nossa luz ou a nossa sombra no arquétipo.


A humanidade toda está projetando sua sombra sobre o arquétipo do Líder, se comportando de modo tirânico e abusivo. Os líderes mundiais, o homem (sobre a mulher)...enfim, a solução está em mudar esse aspecto, em projetarmos luz sobre o arquétipo e iluminarmos nossas sombras.


Você quer viver o arquétipo do Líder? Projete a sua luz sobre ele e seja um(a) líder honesto(a), compassivo(a), que trata o próximo com amor.


Percebemos também a presença do arquétipo do Mestre, aquele que passa uma mensagem - para sermos o melhor que podemos ser, humano. Ser humano é ser aquele que vive, erra, que precisa reconhecer os seus erros e transcender eles.


“Errar é humano”, já diz o ditado. O que você faz com o seu erro é o que lhe tornará um ser de luz, um herói/uma heroína ou um(a) tirano/tirana. Osho diz que, se você cometeu erros porque estava dormindo, não se julgue; se você estava dormindo, como pode se julgar?


O ponto é: se você despertou, você precisa fazer a diferença. Não adianta se lamentar pelo o que já passou, é necessário refletir sobre e descobrir o que pode ser mudado, como você pode se tornar alguém melhor.





Reflexão



Para aqueles que não conheciam, essa é a epopéia de Gilgamesh, que faz parte da mitologia suméria. Existem muitas mitologias para além da grega, romana e egípcia. Há a mitologia celta, hindu, iorubá, nórdica, tupi-guarani, dentre diversas outras.


É muito interessante prestarmos mais atenção na Suméria e Mesopotâmia, consideradas o berço da civilização; mitos iorubás, a mitologia africana, sendo uma das origens da humanidade; e a mitologia tupi-guarani, a mitologia base do nosso Brasil.


Mas, e você? Já sabe qual é o arquétipo regente em sua vida? Tem vontade de descobrir? O Mapa Arquetípico® é um verdadeiro mapa que mostra o caminho para você viver, da melhor forma, o arquétipo que lhe rege.



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Abraços fraternos,

Lucca Ferronatto

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