A Diferença entre Conhecimento e Sabedoria



A educação é um dos pilares mais importantes para a formação do ser humano e, talvez, hoje esteja deturpado de certa forma.


Sendo um direito fundamental de todos, a educação percorre o desenvolvimento humano por intermédio do ensino e da aprendizagem, com o objetivo de desenvolver e potencializar a capacidade intelectual do indivíduo.


O artigo 205 de nossa Constituição diz: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”


É importante lembrarmos que a educação não se restringe à instrução ou à transmissão do conhecimento. Ela inclui a evolução da autonomia e do senso crítico, tornando possível aprimorar habilidades e competências.


A educação associa-se tanto ao âmbito escolar como ao social e ao familiar. Ela pode ser, dessa maneira, formal ou informal - a adquirida por meios acadêmicos e a adquirida pela interação social e vivência, respectivamente.





A Diferença entre Conhecimento e Sabedoria


Ao voltarmos ao Latim e entender a etimologia da palavra “conhecimento”, chegaremos em cognoscere que significa o ato de conhecer.


Enquanto “sabedoria” é um palavra que tem em sua raiz latina a palavra sapere que significa sentir o gosto.


Nós só podemos sentir o sabor daquilo que o nosso paladar toca, ou seja, daquilo que é passível de ser experimentado. Se nós não experimentamos, nós não sentimos o gosto daquilo.


É preciso experimentar.


Conhecimento é simplesmente o ato de conhecer. Você pode possuir o conhecimento sobre algum tema, mas não necessariamente a experiência de realmente vivenciar aquilo em sua vida.


Você não terá sentido o sabor daquele conteúdo.


A sabedoria é, portanto, a experiência do conhecimento. É a prática. Se você não coloca em prática e não vive a experiência, não haverá sabedoria. Ela existe somente quando você experiencia a vida.


Na filosofia, um dos conceitos mais antigos é o da “alma prisioneira” pois diz que a nossa alma está presa tentando se expressar, colocar-se para fora, saborear a vida e deleitar-se no prazer da existência.


Muita vezes acabamos não permitindo isso.


A excelente professora Lúcia Helena Galvão - sempre citada por aqui - possui uma interessante metáfora sobre essa ideia: ela diz para imaginarmos que trabalhamos em um jardim com nossas mãos, mexeremos na terra.


Colocamos uma luva de metal, que não permite que nossas mãos se movam. Não conseguiremos mexer na terra, a sua mão - dentro da luva de ferro - faz de tudo para encostar na terra e trabalhar com ela. Mas a luva não permite.


A ideia de Platão diz que a alma prisioneira necessita que sejam abertas as celas para que ela saia e se expresse. E aí entramos no conceito de educação.





A Educação


O seu conceito encontra-se extremamente deturpado nos dias atuais. Principalmente por conta do academicismo.


Só tem valia aquele que possui um título, uma medalha, uma prova do seu conhecimento.


“Eu sei mais do que você”, “eu sou capaz de fazer mais do que você”.


Ao estudarmos através do método acadêmico - não que ele seja ruim, é apenas uma crítica necessária -, seja na escola ou na universidade, temos que realizar provas. Ou seja, é necessário provar o nosso conhecimento e que sabemos sobre o tema.


Seja por meio de textos decorados, datas memorizadas, um conteúdo que foi lido, ouvido e fixado na memória.


Não temos a sabedoria desse conteúdo. Será que sentimos o gosto dele?


É claro que, hoje e sempre, existem professores mágicos e incríveis que buscarão transmitir uma experiência para o aluno. E mais do que isso, permitirem que o aluno experiencie a vida e coloque a sua alma para fora.


Huberto Rohden, um grande filósofo e educador brasileiro, em suas obras Educação Integral e Os Novos Rumos para a Educação, aborda como se dá o processo de educação. A palavra “educação” é proveniente do latim educere, que significa trazer à tona, permitir que o que está dentro se expresse.


Educação não é colocar algo para dentro, mas sim trazer o que está dentro para fora.


E dentro da educação, segundo Huberto Rohden, o papel do professor seria similar ao de um catalisador. Ou seja, irá ajudar o aluno a permitir que sua alma saia da prisão e experimente o mundo, a fim de não se tornar um conhecedor mas sim um sábio.


A teoria é muito importante, porém a prática é ainda mais importante. Ela cria a teoria.


Não adianta nada ler milhares de livros e não colocar o seu conhecimento em prática, se não experienciar aquilo. Ao não experienciar, você se torna o que o dito popular diz: uma besta carregada de livros.


A leitura é de extrema importância e valor. É uma ferramenta que pode - principalmente dentro de uma sociedade como a de hoje, que limita nossos pensamentos - nos libertar, pode nos ajudar no processo de colocar a nossa alma prisioneira para fora.


Mas se não testar as teorias da leitura na prática, mergulhar na experiência divina que é estar vivo(a), ela de nada serviu.


Conhecimento sem prática, sem experiência, é vaidade. É pura vaidade.


Se você quer abrir as portas do conhecimento, você precisa abrir as portas da sabedoria, você precisa mergulhar de fato na experiência - tirar as “luvas de ferro” de suas mãos e permitir que toquem a terra.


Precisamos buscar, cada vez mais, entender a educação como ela realmente é, na raiz etimológica da palavra. Permitir que o/a educando se expresse e não que o sistema educacional o/a coloque em uma caixa.





Reflexão



Precisamos expandir nossas mentes e seguir a antiga ideia que diz: “só sei que nada sei”.


Quanto mais conhecimento você colocar para dentro, menos você saberá. Quanto mais você vive e sente a experiência da vida, e toca a delícia do efêmero, mais você realmente saberá.


É muito fácil padronizarmos as pessoas, colocar regras em suas vidas. Muito se diz sobre a teoria mas pouco se permite que as pessoas experienciem e coloquem suas almas para fora.


Viva! O importante é a vida.


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Abraços fraternos,

Lucca Ferronatto

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