A Cobra de Vidro de Manoel de Barros



O poema de Manoel de Barros, “O Rio que fazia uma Volta”, pode ser encontrado com outros nomes e é extremamente interessante para conversarmos sobre um ponto de vista um pouco mais subjetivo, místico e inconsciente.


Uma curiosidade: esse poema foi uma questão do Enem de 2018. Veja a importância seu autor e o poema possui, e como ele pode abrir a nossa mente e nossos olhos para um mundo mais imagético e significativo.


O comentário da questão, disponibilizado pelo Descomplica, foi o seguinte: “O uso do substantivo “enseada” destitui o cenário admirado pelo eu lírico de beleza, graça, poesia. Ou seja, trata-se de uma perda da impressão subjetiva sobre o espaço, característica típica de Manoel de Barros.”


Colocadas essas considerações, vamos para o poema em si.


“O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.

Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás da casa.

Era uma enseada.

Acho que o nome empobreceu a imagem.”


BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2001.





Uma Possível Perspectiva sobre o Poema


Esse grandioso mestre da literatura brasileira inicia o poema dizendo: “O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole [...]”. Ele transforma a paisagem na imagem de um vidro mole. É possível que exista um vidro mole na nossa realidade?


Na realidade objetiva, nessa “chatice” não. Agora, na linguagem dos sonhos e do inconsciente, sim - é possível. O vidro mole é um símbolo, uma imagem onírica e pictórica.


Quer saber mais sobre a linguagem do inconsciente? Clique no link abaixo para ter acesso à um artigo completo sobre esse assunto.


Quero ler o artigo A Linguagem para se Conectar com o seu Inconsciente


Ele diz também que “Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.” A paisagem, a partir desse momento, não era mais uma “cobra de vidro que fazia uma volta atrás [...]” de sua casa, passou a ser uma enseada.


“Acho que o nome empobreceu a imagem.”...o que você acha que ele quis dizer com essa frase?


Antes, era uma cobra de vidro mole que fazia uma volta atrás de sua casa, era algo simbólico e subjetivo. Era algo que a sua percepção podia captar e transmitir. Mas, após chegar um homem e dizer que aquilo era uma enseada, a racionalização do que era aquilo “[...]empobreceu a imagem.”


O objetivo aqui não é você entender com o intelecto, mas sim que você sinta a mensagem desse poema.


Na civilização como um todo, tendemos à racionalizar as coisas, a colocá-las em moldes e caixas. “Isso aqui é uma enseada”, “isso aqui é psicologia”, “isso aqui é arte”, “isso aqui é feitiçaria”, “isso é subjetividade e aquilo é objetividade”.


Tentemos à nomear e classificar aquilo que nos rodeia. Hoje não temos mais cobras de vidro, mas sim enseadas.


Um outro exemplo são as folhas. Nós as vemos e se não soubéssemos o que elas são, poderíamos pensar que elas são os pêlos da Mãe Natureza ou então são borboletas que não se movem.


Mas não, são folhas porque alguém, em algum momento, disse que são folhas e que elas possuem certas características, dentre diversas outras coisas.


Quando fechamos uma racionalização em cima de algo - e não estou dizendo que a racionalização não seja importante - não o vemos mais como um símbolo, uma expressão artística ou inconsciente. Limitamos a realidade.


Na realidade que vivemos não podemos voar. E por que não podemos? Porque a física não nos permite voar, cairemos ao tentarmos. E na realidade dos sonhos? Nela nós podemos sim voar.


Dentro do nosso inconsciente as possibilidades são muito mais amplas e a profundidade que podemos alcançar são muito maiores. 95% da nossa mente é inconsciente. Cadê a cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa? Cadê o vidro mole? Hoje é tudo enseada.






Reflexão



Meu objetivo com esse comentário sobre esse poema de Manoel de Barros é pensarmos de maneira mais subjetiva.


Nomes e racionalizações empobrecem imagens. Um trabalho arquetípico, simbólico, pictórico é um trabalho imagético, de sonhos.


Vamos nos permitir sonhar mais e ver mais “cobras de vidros” e menos “enseadas”. Não precisamos ser tão racionais, mesmo porque o encontro do nosso inconsciente se dará justamente quando dissolvermos um pouco a racionalidade.


Alejandro Jodorowsky, grandioso cineasta mundial, diz em seu documentário Psicomagia que não é racionalizando os nossos conteúdos inconscientes que encontraremos a chave, nós a encontraremos quando ensinarmos a nossa mente a falar a linguagem dos sonhos.


Se quiser receber conteúdos de qualidade no conforto de seu celular e se tornar um #artetiposlover, participe de nosso grupo no Telegram. Participe desse grupo exclusivo, completamente gratuito. É só clicar no link abaixo e ficar por dentro de todas as nossas novidades.


Entre no grupo #artetiposlover no telegram: https://t.me/artetiposnews


Se inscreva e receba conteúdos em primeira mão.


Abraços fraternos,

Lucca Ferronatto

162 visualizações
  • Facebook
  • YouTube
  • Grey Instagram Ícone

© 2019 Artétipos - MABEL C. DIAS CONSULTORIA EPP - Todos os direitos reservados.

| Fale conosco - contato@artetipos.com | Tel: (11) 9.4240-0110